Vídeo assumindo a figura do autor do livro "A metamorfose"

Guião:

Boa tarde. Chamo-me Franz Kafka. Talvez notem o meu casaco escuro e o meu chapéu, simples e discreto, como eu sempre preferi. Trago comigo um livro, símbolo da companhia inseparável da escrita e um caderno que representa o conforto que a escrita me trazia, mas poderia ter trazido apenas uma pena ou uma caneta que é uma representação desse mesmo refúgio íntimo que a escrita me oferecia. 

Hoje falo-vos de A Metamorfose, a minha obra talvez mais conhecida. A história começa com algo absurdo: Gregor Samsa desperta transformado num inseto monstruoso. No entanto, a obra não é sobre este horror da transformação, mas sim sobre revelar o desconforto humano, a fragilidade das relações e o peso da utilidade que os outros esperam de nós. Gregor deixa de ser reconhecido por si mesmo e pelos outros e perde a sua utilidade e é nesse aspeto que a verdadeira metamorfose se nota. 

Não quis explicar os motivos da sua transformação. O que me interessa não é o “porquê”, mas o “e agora”. A reação da família, o silêncio, o isolamento e até a preocupação única de Gregor em ir trabalhar, revelam mais do que a própria metamorfose, uma vez que mostram a nossa incapacidade de aceitar o diferente e o reconhecimento das pessoas apenas pela sua utilidade e não pela sua personalidade.

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