A conversa com o autor

Projeto de leitura

Disciplina - Português 12º Ano

Docente- Isabel Jorge
Discente- Tiago Carpinteiro, Nº27, 12ºA



Índice:

 Conversa com o autor da obra "Pão de Açúcar"

Conversa com o autor da obra "Pão de Açúcar":

     No âmbito da leitura da obra "Pão de Açúcar", de Afonso Reis Cabral, tivemos a oportunidade de conversar com o escritor. Dessa conversa, retirei três ideias que me pareceram especialmente relevantes e que vou seguidamente fundamentar.

    Depois da conversa com o Afonso Reis Cabral, autor do "Pão de Açúcar", houve três ideias que me marcaram bastante. Vou explicar cada uma delas.

    A primeira ideia tem a ver com o que é, afinal, escrever um romance. O escritor disse que a escrita não é uma questão de inspiração ou de dom, mas sim de trabalho. Para escrever este livro, ele não ficou à espera de uma musa criativa. Teve de ler processos criminais, falar com pessoas que conheceram o caso da Gisberta e reconstruir os ambientes onde a história aconteceu. Eu achei esta ideia relevante porque, até ali, tinha uma ideia muito romântica tanto do escritor como também do género literário em si. Pensava que era alguém que sentava e escrevia por intuição. O Afonso Reis Cabral mostrou-me que, por trás de um livro realista, há muito suor, muita pesquisa e um compromisso sério com a verdade dos factos.

    A segunda ideia que considerei importante foi a do narrador não - fiável. O escritor explicou que o Rafa, a personagem que conta a história, não é de confiança. Ele vive numa instituição, está envolvido nos acontecimentos e manipula o leitor sem que este dê por isso. Para mim, isto foi surpreendente, porque estamos habituados a acreditar no narrador. Achamos que ele é nosso amigo e que nos diz a verdade. Afinal, não é bem assim. Afonso Reis Cabral obriga-nos a desconfiar, a ler nas entrelinhas e a perceber que a verdade depende sempre de quem a conta. Esta escolha narrativa é genial, porque nos tira do papel de leitores passivos e nos torna mais ativos e críticos.

    A terceira ideia foi a que mais me deixou a pensar. O escritor falou da banalidade do mal. Ou seja, a ideia de que o mal não é algo excecional, praticado por monstros ou psicopatas. No caso da Gisberta, o mais assustador é que os agressores eram adolescentes comuns, inseridos num grupo e num ambiente onde a violência era normalizada. Qualquer um, nas circunstâncias erradas, pode tornar-se agressor. Eu acho esta ideia muito relevante porque nos tira a desculpa de apontar o dedo para "monstros" à distância. O livro mostra que o mal pode nascer dentro de nós, se houver exclusão social, ignorância e pressão do grupo. Esta é, para mim, a mensagem mais poderosa do "Pão de Açúcar".









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