A conversa com o autor
Projeto de leitura
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Conversa com o autor da obra "Pão de Açúcar":
Depois da conversa com o Afonso Reis Cabral, autor do "Pão
de Açúcar", houve três ideias que me marcaram bastante. Vou
explicar cada uma delas.
A segunda ideia que considerei importante foi a do narrador
não - fiável. O escritor explicou que o Rafa, a personagem que conta a história,
não é de confiança. Ele vive numa instituição, está envolvido nos
acontecimentos e manipula o leitor sem que este dê por isso. Para mim, isto foi
surpreendente, porque estamos habituados a acreditar no narrador. Achamos que
ele é nosso amigo e que nos diz a verdade. Afinal, não é bem assim. Afonso Reis
Cabral obriga-nos a desconfiar, a ler nas entrelinhas e a perceber que a
verdade depende sempre de quem a conta. Esta escolha narrativa é genial, porque
nos tira do papel de leitores passivos e nos torna mais ativos e críticos.
A terceira ideia foi a que mais me deixou a pensar. O
escritor falou da banalidade do mal. Ou seja, a ideia de que o mal não é algo
excecional, praticado por monstros ou psicopatas. No caso da Gisberta, o mais
assustador é que os agressores eram adolescentes comuns, inseridos num grupo e
num ambiente onde a violência era normalizada. Qualquer um, nas circunstâncias
erradas, pode tornar-se agressor. Eu acho esta ideia muito relevante porque nos
tira a desculpa de apontar o dedo para "monstros" à distância. O
livro mostra que o mal pode nascer dentro de nós, se houver exclusão social,
ignorância e pressão do grupo. Esta é, para mim, a mensagem mais poderosa do
"Pão de Açúcar".

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